sábado, 1 de junho de 2013



Número de demissões de domésticas sobe 25% após nova lei
A empregada doméstica Luzia Santos de Jesus, 58 anos, depende do salário para pagar aluguel, luz, água e compras do mês, além de enviar parte do que ganha para o interior, onde vivem os três filhos. Durante dois meses, Luzia sofreu para não atrasar as contas e continuar ajudando a família. O motivo? Ela foi demitida em março por conta da aprovação da Emenda Constitucional 72, a PEC das Domésticas. “Em uns pontos, a PEC foi boa, em outros, ruim. Tanta mãe de família precisando trabalhar e aparece isso. Eu passei dois meses sem emprego. Já tava agoniada”, conta a doméstica, que já conseguiu outro emprego. Segundo ela, sua patroa a demitiu logo que soube da aprovação da nova lei, que garante 16 novos direitos aos domésticos. De acordo com a presidente do Sindicato das Empregadas Domésticas da Bahia, Cleusa Santos, o número de homologações realizadas em maio no estado foi 25% maior do que a média de meses anteriores à aprovação da emenda, que passou a valer no início de abril. A sindicalista afirma que a média mensal era de 20 contratos homologados antes da PEC e, em maio, foram 25. Uma das domésticas demitidas nesse mês foi Alessandra Pinto Borges, 25. “Quando foi aprovada, fui logo passada pra rua.
Dizem que (a PEC) veio para o melhor, mas agora é que o patrão vai pisar na gente que nem barata. Já aumentou a cobrança”, relata Alessandra. Ela ia completar quatro meses na casa em que trabalhava. “Foi uma surpresa saber que ia ficar desempregada”. A solução para Alessandra foi mudar de ramo. Depois de um mês sem trabalho, ela foi contratada como copeira no Shopping Iguatemi no início de maio. “Não quero mais continuar como doméstica”, afirma. Para a presidente do sindicato, o aumento nas demissões não é preocupante.

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